Juntas, a gente cresce mais
- Elisa Moura

- há 5 horas
- 3 min de leitura
Sobre apoio entre mulheres, maternidade, trabalho e carga mental feminina

A gente aprende cedo a se virar sozinha.
A dar conta.
A não pedir.
A seguir, mesmo com medo, mesmo cansada.
Ser independente vira quase um valor moral.
E, em muitos momentos, é mesmo necessário.
Mas tem uma coisa que a gente demora a aprender:
Crescer não precisa ser um gesto solitário.
Tenho vivido momentos que têm me mostrado, com muita clareza, o quanto é bom — e necessário — saber que temos apoio das amigas e de outras mulheres.
Ser tudo o que se espera de uma mulher é pesado — especialmente para mulheres que trabalham, cuidam da casa e da família ao mesmo tempo.
Espera-se que sejamos mães presentes e amorosas.
Que cuidemos da casa — ou somos vistas como desleixadas.
Que sejamos boas esposas, atentas, disponíveis.
E, se quisermos ser bem-sucedidas profissionalmente, precisamos equilibrar mais esse grande prato fundo também.
Talvez esse seja o mais difícil.
Dar conta de uma rotina de trabalho, se dedicar, pensar, criar, produzir… e ainda sustentar todo o lado pessoal que nunca pausa — algo muito comum na vida de mulheres que equilibram maternidade e trabalho.
E o problema não é só o tempo. É o ânimo. É o espaço mental.
Como pensar no trabalho quando a cabeça está cheia de outras coisas rodando ao mesmo tempo?
O que vou fazer no jantar?
Preciso comprar o pincel do material escolar.
Faz tempo que não saio com meu marido.
Tem que comprar feijão, fita crepe e ração dos cachorros.
Minha filha anda comendo muito ultraprocessados?
Tem que pagar o futsal.
Preciso arrumar tempo pra malhar.
Esse rio de pensamentos não para.
Tudo isso acontece ao mesmo tempo, dentro da gente. É a carga mental feminina, silenciosa e constante.
E aí, quando temos amigas — amigas de verdade — tudo fica mais leve.
Não porque elas vão fazer as coisas por você. Nem porque vão resolver a sua vida.
Às vezes até ajudam, sim.
Mas, muitas vezes, é só sobre saber que você não está sozinha.
Que existem outras mulheres passando por isso também.
Às vezes é poder desabafar.
Às vezes é ouvir.
Às vezes é incentivar o trabalho da outra,celebrar, divulgar, fazer junto.
Às vezes é participar de um projeto em conjunto.
Às vezes é organizar as caronas da escola para que não fique pesado para ninguém,
para que uma consiga trabalhar em paz naquele dia.
São essas pequenas coisas — quase invisíveis — que mostram como estar em comunidade com outras mulheres torna a vida mais possível. Mais leve. Mais habitável.
Apoio não é sobre dependência. É sobre segurança.
Quando existe escuta, presença e troca, a gente ousa mais.
Ocupa mais espaço.
Se autoriza a tentar caminhos que talvez não tentasse sozinha.
Mulheres que se apoiam não estão apenas se sustentando.
Elas estão se somando.
Misturando forças, visões, experiências.
Criando algo que não existiria da mesma forma se fosse individual.
É no apoio entre mulheres que surgem ideias mais vivas, projetos mais honestos e caminhos mais possíveis.
Crescer juntas não apaga a individualidade — ao contrário, potencializa.
Cada uma continua sendo quem é, mas agora existe um campo fértil compartilhado.
E nesse campo, a gente floresce mais longe.
Talvez o maior gesto de coragem não seja fazer tudo sozinha.
Talvez seja reconhecer que acompanhar e ser acompanhada também é força.
Porque juntas, a gente cresce mais.
Um beijo
Elisa




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