Criando a identidade visual do Conecta Vale
Alguns projetos começam com uma pergunta simples.
No caso do Conecta Vale, a pergunta era: como criar uma identidade visual para algo que não é uma empresa, nem um produto, mas uma rede de pessoas?
Foi essa pergunta que guiou todo o processo.
Antes do desenho
O Conecta Vale nasceu com o propósito de fortalecer a economia criativa do Vale do Café, conectando artistas, empreendedores, produtores e pequenos negócios da região.
Mas, antes de pensar em cores, tipografias ou logotipos, eu precisava entender o que realmente estava sendo construído ali.
Quanto mais conversava sobre o projeto, mais percebia que a palavra central era conexão.
Não apenas conexão comercial, mas conexão entre pessoas, territórios, saberes e histórias.
A identidade precisava traduzir exatamente isso.
Procurando uma forma para a ideia
Uma das coisas que mais gosto no processo de criação de marcas é observar como conceitos abstratos podem ganhar forma visual.
Como se desenha pertencimento?
Como se desenha colaboração?
Como se desenha uma rede?
Passei um tempo explorando essas perguntas em esboços e referências. Eu sabia que não queria uma marca rígida ou excessivamente corporativa. O Conecta Vale precisava parecer próximo, humano e acessível.
Ao mesmo tempo, precisava transmitir profissionalismo e ter força suficiente para representar um movimento que reunia pessoas e iniciativas tão diferentes entre si.
Construindo o sistema visual
Foi a partir dessas reflexões que surgiu o conceito de raízes que se encontram.
Porque o Conecta Vale não se propõe a criar conexões rasas. A proposta sempre foi fortalecer relações profundas e duradouras, daquelas que criam raízes, crescem juntas e geram novos frutos.
A partir dessa ideia nasceu o logotipo. Um símbolo inspirado em raízes que se encontram, se conectam e se expandem em conjunto, representando visualmente a força da colaboração e da construção coletiva.
Depois vieram as demais decisões do sistema visual: a paleta de cores, as tipografias e os elementos gráficos de apoio.
Mas o mais importante não era cada peça isoladamente. Era construir uma identidade capaz de crescer junto com o projeto.
Uma identidade que funcionasse tanto em materiais impressos quanto nas redes sociais. Que pudesse comunicar feiras, eventos, oficinas, exposições e diferentes ações sem perder sua unidade.
Meu objetivo era criar algo flexível, mas reconhecível. Uma marca que acolhesse a diversidade de quem faz parte do Conecta Vale.
Por isso, a paleta de cores foi ampliada, as tipografias foram atualizadas para trazer mais contemporaneidade e versatilidade, e os elementos gráficos passaram a formar um sistema capaz de se adaptar aos diferentes contextos do projeto.
Quando a marca encontra a vida real
Existe um momento muito especial em todo projeto de identidade visual.
É quando a marca deixa os arquivos e passa a existir no mundo.
Ela aparece em banners, redes sociais, placas, materiais impressos, fotografias e encontros. Deixa de ser apenas um desenho para se tornar parte da experiência das pessoas.
Foi exatamente isso que aconteceu com o Conecta Vale.
Ver a identidade ocupando os eventos, aproximando pessoas e ajudando a comunicar o propósito do projeto me mostrou que o trabalho tinha encontrado seu lugar.
E existe ainda um detalhe que torna esse projeto especialmente significativo para mim.
Foi dentro do Conecta Vale que realizei a exposição Flores-ser: entre flores e instinto.
Por isso, quando olho para essa identidade hoje, não vejo apenas um projeto de design. Vejo uma rede de pessoas, encontros e oportunidades da qual também passei a fazer parte.