Criando a identidade visual do Conecta Vale

Elisa Moura · Diário de uma Ideia · 4 min de leitura

Alguns projetos começam com uma pergunta simples.

No caso do Conecta Vale, a pergunta era: como criar uma identidade visual para algo que não é uma empresa, nem um produto, mas uma rede de pessoas?

Foi essa pergunta que guiou todo o processo.

Identidade visual Conecta Vale
Sistema visual desenvolvido para o Conecta Vale

Antes do desenho

O Conecta Vale nasceu com o propósito de fortalecer a economia criativa do Vale do Café, conectando artistas, empreendedores, produtores e pequenos negócios da região.

Mas, antes de pensar em cores, tipografias ou logotipos, eu precisava entender o que realmente estava sendo construído ali.

Quanto mais conversava sobre o projeto, mais percebia que a palavra central era conexão.

Não apenas conexão comercial, mas conexão entre pessoas, territórios, saberes e histórias.

A identidade precisava traduzir exatamente isso.

Procurando uma forma para a ideia

Uma das coisas que mais gosto no processo de criação de marcas é observar como conceitos abstratos podem ganhar forma visual.

Como se desenha pertencimento?

Como se desenha colaboração?

Como se desenha uma rede?

Passei um tempo explorando essas perguntas em esboços e referências. Eu sabia que não queria uma marca rígida ou excessivamente corporativa. O Conecta Vale precisava parecer próximo, humano e acessível.

Ao mesmo tempo, precisava transmitir profissionalismo e ter força suficiente para representar um movimento que reunia pessoas e iniciativas tão diferentes entre si.

Construindo o sistema visual

Foi a partir dessas reflexões que surgiu o conceito de raízes que se encontram.

Porque o Conecta Vale não se propõe a criar conexões rasas. A proposta sempre foi fortalecer relações profundas e duradouras, daquelas que criam raízes, crescem juntas e geram novos frutos.

A partir dessa ideia nasceu o logotipo. Um símbolo inspirado em raízes que se encontram, se conectam e se expandem em conjunto, representando visualmente a força da colaboração e da construção coletiva.

Depois vieram as demais decisões do sistema visual: a paleta de cores, as tipografias e os elementos gráficos de apoio.

Mas o mais importante não era cada peça isoladamente. Era construir uma identidade capaz de crescer junto com o projeto.

Uma identidade que funcionasse tanto em materiais impressos quanto nas redes sociais. Que pudesse comunicar feiras, eventos, oficinas, exposições e diferentes ações sem perder sua unidade.

Meu objetivo era criar algo flexível, mas reconhecível. Uma marca que acolhesse a diversidade de quem faz parte do Conecta Vale.

Por isso, a paleta de cores foi ampliada, as tipografias foram atualizadas para trazer mais contemporaneidade e versatilidade, e os elementos gráficos passaram a formar um sistema capaz de se adaptar aos diferentes contextos do projeto.

Quando a marca encontra a vida real

Existe um momento muito especial em todo projeto de identidade visual.

É quando a marca deixa os arquivos e passa a existir no mundo.

Ela aparece em banners, redes sociais, placas, materiais impressos, fotografias e encontros. Deixa de ser apenas um desenho para se tornar parte da experiência das pessoas.

Foi exatamente isso que aconteceu com o Conecta Vale.

Ver a identidade ocupando os eventos, aproximando pessoas e ajudando a comunicar o propósito do projeto me mostrou que o trabalho tinha encontrado seu lugar.

E existe ainda um detalhe que torna esse projeto especialmente significativo para mim.

Foi dentro do Conecta Vale que realizei a exposição Flores-ser: entre flores e instinto.

Por isso, quando olho para essa identidade hoje, não vejo apenas um projeto de design. Vejo uma rede de pessoas, encontros e oportunidades da qual também passei a fazer parte.

Ver o projeto completo →

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