A espera da borboleta: ilustrando uma história sobre o tempo das coisas
Existem projetos que chegam até nós por motivos profissionais. Outros chegam carregados de afeto.
A Espera da Borboleta foi um desses.
O livro foi escrito pela minha prima, Maria Fernanda Moura Duque, para sua filha. A ideia surgiu a partir de um convite da escola, onde ela faria uma leitura para a turma. O que começou como uma história para compartilhar com as crianças acabou se transformando em um livro completo — e eu tive a alegria de ilustrá-lo.
Mas a verdade é que esse projeto começou muito antes de qualquer texto ou desenho.
De certa forma, ele também nasceu da nossa família.
Uma história sobre esperar
O livro conta a história de duas amigas, Maria Alice e Helena, que encontram uma lagarta na horta da escola.
Curiosas, elas querem entender o que vai acontecer. A professora explica que, com o tempo, aquela lagarta se transformará em uma borboleta.
O problema é que esperar não é fácil.
As meninas ficam ansiosas, fazem perguntas, querem que tudo aconteça logo. E a professora continua lembrando que algumas coisas precisam de tempo. Que nem tudo acontece no momento em que desejamos. Que a espera também faz parte da experiência.
Quando li a história pela primeira vez, percebi que ela falava de algo muito maior do que uma borboleta.
Falava sobre paciência.
Sobre confiança.
Sobre respeitar o tempo das transformações.
Uma história que também fala da nossa avó
Durante a criação do livro, minha prima e eu pensamos muitas vezes na nossa avó.
Ela era poetisa, escritora, artista e uma pessoa profundamente criativa.
Foi uma dessas pessoas que mostram, através do exemplo, que criar pode fazer parte da vida cotidiana.
Enquanto trabalhávamos no projeto, percebi como muitas das coisas que fazemos hoje talvez tenham começado ali, nas histórias, nos poemas, nos cadernos e na forma como ela enxergava o mundo.
Isso me fez refletir sobre a importância da vivência criativa dentro das famílias.
Nem sempre ela aparece como uma profissão. Às vezes aparece como alguém que escreve poemas, conta histórias, desenha, canta, costura ou inventa brincadeiras.
São pequenas experiências que mostram às crianças que criar é algo possível.
E que suas ideias têm valor.
Transformando palavras em imagens
Fiquei responsável por ilustrar todo o livro.
Desde o início, queria que as imagens transmitissem a delicadeza da história e criassem uma conexão imediata com o universo infantil.
As ilustrações foram feitas digitalmente, utilizando pincéis com textura de lápis e giz. Essa escolha ajudou a criar um aspecto mais próximo dos desenhos feitos à mão, trazendo aconchego e familiaridade para as páginas.
Meu objetivo era que as crianças sentissem que estavam entrando naquele jardim junto com Maria Alice e Helena, acompanhando cada descoberta e cada momento de espera.
O que a borboleta me ensinou
Curiosamente, ilustrar esse livro também me fez pensar sobre o meu próprio processo criativo.
Vivemos em uma época que valoriza a velocidade. Queremos resultados rápidos, respostas imediatas e transformações instantâneas.
Mas a natureza continua nos lembrando que algumas coisas simplesmente não podem ser apressadas.
A lagarta tem seu tempo.
A borboleta tem seu tempo.
As ideias também.
Talvez seja por isso que essa história tenha ficado comigo.
Porque, no fundo, A Espera da Borboleta não fala apenas sobre uma borboleta.
Ela fala sobre aprender a confiar no processo.